segunda-feira, 2 de setembro de 2013

PESQUISA INÉDITA VAI MAPEAR DOENÇAS E FATORES DE RISCO À SAÚDE

Começou a coleta de dados para a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), estudo inédito realizado pelo

Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa,

que será baseada em exames laboratoriais para avaliar a saúde da população brasileira, vai mapear

diversas doenças e fatores de risco à saúde, como hipertensão, diabetes e a obesidade.

Além dos questionários, também farão parte deste estudo a coleta de sangue e urina, a aferição de

medidas antropométricas e a medição da pressão arterial. A coleta das amostras clínicas será feita por

profissionais ligados ao hospital Sírio Libanês, enquanto as entrevista serão realizadas por pesquisadores

do IBGE que estão em treinamento desde o fim de julho.

A pesquisa começa pelos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rondônia, Roraima, Amapá

e Rio Grande do Sul e, nas próximas semanas, alcançará todas as unidades da federação. Cerca de 20

mil pessoas deverão ser submetidas aos exames, dos 80 mil domicílios pesquisados, em 1.600

municípios brasileiros. O PNS irá envolver, aproximadamente, mil agentes do IBGE.

No total, o Ministério da Saúde vai repassar R$ 21 milhões para a realização do estudo, sendo R$ 15

milhões destinados ao instituto de pesquisa e R$ 6 milhões ao hospital que será encarregado pelos

exames laboratoriais. As análises feitas pela pesquisa também vão diagnosticar se a pessoa diabetes,

anemia falciforme e analisar percentuais de creatinina, potássio e sódio ? indicadores que podem revelar

eventuais problemas de saúde do paciente. Se os resultados dos exames indicarem algum problema de

saúde, o entrevistado será encaminhado a uma unidade de saúde para receber acompanhamento médico.

DENGUE - O exame de sangue também trará a informação do percentual da população brasileira que já

entrou em contato com o vírus da dengue. ?A sorologia é importante para subsidiar, no futuro, a

implantação da vacina conta a dengue no país, possibilitando o mapeamento de áreas suscetíveis a

surtos de subtipos da doença.?, afirmou o secretario de vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa.

O material coletado na pesquisa será guardado e vai compor um banco de soro humano para monitorar a

doença no país, ficando disponível para universidades e institutos de pesquisas. O secretário Jarbas

Barbosa explica que a pesquisa permitirá uma avaliação mais ampla e um melhor planejamento das

ações estratégicas e políticas públicas. ?Além de permitir que possamos examinar a tendência da saúde

do brasileiro na última década, a PNS traz uma radiografia bem detalhada não só do Brasil, mas de

regiões, dos estados, capital e interior?, observa. Segundo ele, a previsão é de que o estudo seja

realizado a cada cinco anos. Os primeiros resultados deste estudo devem ser divulgados em 2014.

A pesquisa faz parte do Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não-Transmissíveis (DCNT) e

tem como meta produzir novas informações sobre os hábitos de alimentação, tabagismo, uso de bebidas

alcoólicas, prática de atividade física e fatores associados aos comportamentos não saudáveis da

população. As informações vão subsidiar as ações de combate às DCNT, responsáveis por 72% dos

óbitos no Brasil.

A iniciativa propõe que a PNS dê continuidade aos inquéritos do Plano Nacional por Amostra de Domicílio

(PNAD), realizado em 1998, 2003 e 2008. A PNS também deve delinear o perfil lipídico da população e

dimensionar o acesso ao diagnóstico de alguns agravos crônicos (como hipertensão, diabetes,

hipercolesterolemia, creatinina no sangue, dosagem de sal na urina), com base na comparação de

medidas objetivas (antropométricas, de pressão arterial e exames laboratoriais) e subjetivas (morbidade

auto referida), além de outras investigações. A PNS foi aprovada no Comissão Nacional de Ética em

Pesquisa (Conep).

HISTÓRICO ? Desde 2009, o Ministério da Saúde se reúne com pesquisadores para iniciar a elaboração

da pesquisa. De 2010 a 2011, ocorreram reuniões periódicas com representantes do IBGE, onde foram

estudadas experiências nacionais e internacionais; definidas a metodologia; a amostragem e outros

pontos importantes. Em 2012, foram fechados os questionários e a parceria com o Hospital Sírio-Libanês

para a realização dos exames laboratoriais.

O Ministério da Saúde já realiza, anualmente, o Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para

Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), estudo feito por inquérito telefônico em 26 estados e no

Distrito Federal. Em 2011, o Vigitel entrevistou 54 mil pessoas, sendo uma importante fonte para o

desenvolvimento de políticas públicas de saúde preventiva. A Pesquisa Nacional de Saúde, portanto,

servirá como aliada para agregar informações estatísticas dos hábitos de vida da população comprovadas

através dos exames.

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