Homem não chora. Homem não pede informação. Estas máximas infelizmente agora podem se somar a
outra ? homem não vai ao médico! Além de segurar as emoções, preferir estar perdido a perguntar onde
fica uma rua, os homens estão colocando a saúde em risco. E isso não é de hoje. O problema é antigo e
pode ter origens culturais e econômicas.
Um estudo recente feito pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com cinco mil homens em seis
capitais brasileiras ? Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, Recife, Belo Horizonte e Brasília ? afirma
que 44% dos homens na faixa etária dos 40 anos jamais foram ao urologista e não fazem exames
preventivos. É importante lembrar que todos os homens a partir desta idade devem visitar o especialista
anualmente e se submeter ao exame de toque retal e PSA ? antígeno específico da próstata analisado na
coleta do sangue.
O estudo ainda aponta que 47% dos entrevistados nunca fizeram exames para detectar o câncer da
próstata e apenas 23% o fazem anualmente. ?Estes números revelam a percepção que temos no
consultório. Infelizmente muitos homens não cuidam da saúde e isso não acontece apenas no campo da
urologia. O problema é mais abrangente, pois o homem brasileiro não se preocupa com a própria saúde?,
analisa Dr. Daher Chade ? urologista do Instituto do Câncer de São Paulo.
Estes dados revelam uma situação cultura e econômica na qual o Brasil se encontra. Muitos homens não
vão ao urologista ou cuidam da saúde de uma forma geral porque não foram instruídos a isso e outros
também não têm acesso a serviços de saúde. Outro fator que deve ser observado é o preconceito com
o exame de toque retal. A população está mais consciente em relação a isso, mas ainda existem muitas
barreiras.
Assim como em outros tipos de câncer, a prevenção e a detecção precoce são fundamentais. No ano
passado, mais de 60 mil novos casos foram diagnosticados segundo o Instituto Nacional do Câncer. ?
Muitos homens temem o resultado dos exames, mas se diagnosticado precocemente, o câncer de
próstata tem tratamento e cura em muitos casos?, completa Dr. Chade
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